• Redação JM

Eleições: 2º turno à presidência está indefinido, dizem cientistas políticos!

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terminou o primeiro turno na frente, mas Jair Bolsonaro (PL) sai mais fortalecido do que se imaginava, o que deixa o segundo turno acirrado.

Enquanto Lula obteve pouco mais de 48% dos votos válidos, Bolsonaro ficou perto de 43%, percentual superior ao que sugeriam as pesquisas de intenção de voto. Para os cientistas, este resultado afeta de forma negativa a campanha petista e de forma positiva a do atual presidente. Além disso, a correlação de forças nos estados, no Senado e na Câmara dos Deputados aponta para sucesso da agenda conservadora, o que representa mais um vetor a favor de Bolsonaro.

Havia expectativa de que a avaliação negativa do governo federal fosse ser considerada na hora da eleição. Ou seja, que os eleitores voláteis fossem preterir valores ao desempenho. O que se verificou foi que os valores prevaleceram.

Para a Associação Brasileira de Ciências Políticas, o desempenho do bolsonarismo não oferece ao presidente nenhum estímulo rumo à moderação no segundo turno. Quanto a Lula, o empenho será em ampliar ainda mais a frente de alianças.

Qual a expectativa para o segundo turno? A primeira coisa é que Bolsonaro sai mais forte do primeiro turno do que as pesquisas apontavam. Não só no que se refere a sua própria intenção de voto como também se olharmos para os resultados nos governos estaduais, no Senado e na Câmara dos Deputados. De forma que é uma correlação de forças que coloca Lula em situação muito próxima de Bolsonaro. Antes se imaginava que Lula ganharia no primeiro turno ou que teria vantagem confortável.

Para o segundo turno, Lula precisa, mais do que nunca, se associar, buscar apoio na Simone Tebet (MDB) e no que ainda houver do Ciro Gomes (PDT). Por sua vez, Bolsonaro vai buscar apoio do Romeu Zema (Novo), reeleito em Minas Gerais, contar com o apoio do Tarcisio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, que se imaginava que iria para o segundo turno numa segunda colocação, e Cláudio Castro (PL) já reeleito governador no Rio.

A votação mostra Lula em primeiro lugar, mas com liderança não muito grande. Tem correlação de forças que neutraliza ou muda a expectativa de que Lula passaria muito forte. Havia expectativa que não se efetivou. Isso, somado ao desempenho forte do bolsonarismo no Congresso e nos estados com as maiores populações, passa sensação de frustração. Esse aspecto psicológico pesa na campanha.

Bolsonaro sai mais fortalecido do que se esperava e isso dá alguma vantagem para ele. Ele traz uma curva ascendente que o favorece psicologicamente na disputa. O desempenho de Bolsonaro acima do que as pesquisas indicavam, havia expectativa de que a avaliação negativa do governo federal fosse ser considerada na hora da eleição. Ou seja, se o governo tem avaliação ruim, é porque há insatisfação com as políticas, realidade da pandemia e da economia. Não é que o eleitorado tivesse ficado menos conservador nos costumes.

O que se verificou foi que os valores prevaleceram. Por que não dizemos que a pesquisa errou e que o desempenho estava bem avaliado? Pela maneira como se elegeram governadores, senadores e a Câmara dos Deputados. A questão dos valores, do conservadorismo, das redes que ativam o conservadorismo, se mostrou muito forte. Costuma-se dizer que o segundo turno tende a moderar candidatos mais extremados. O que Bolsonaro fez foi manter atitude mais de direita, e essa saiu vitoriosa nesse primeiro turno. Não há muito incentivo para ele buscar moderação, mas há estímulo para reforçar apoio nesses que foram bem sucedidos nos estados.

Lula vai continuar o que já estava fazendo, agora ampliando a frente democrática, tentando ampliar apoios no Nordeste e no Norte, assim como Bolsonaro vai fazer no Sudeste. Agora é hora de todo mundo tentar otimizar suas redes estaduais para fazer voto. Lula montou arco de alianças muito amplo no primeiro turno. O que ele faz agora é mais ou menos nesse mesmo sentido. Quando ele traz o Geraldo Alckmin, que tem sua capilaridade no interior de São Paulo, é como se fosse a ideia da moderação. O que Lula faz é tentar avançar para além da esquerda, mas com ícones que dão certa garantia, porque eles já estiveram presentes no passado. Por mais que o contexto hoje seja diferente, se ele comunica essa atitude, talvez possa contemplar boa parte da expectativa.

Os últimos anos foram marcados por ascensão do antipetismo no país, tanto pelo impulso da Lava Jato e do impeachment de Dilma Rousseff (PT) quanto por razões ligadas à economia. O que explica que Lula tenha obtido essa votação tão elevada. Por que a terceira via não decolou? As pesquisas de opinião mostravam que, em determinado momento, um terço do eleitorado não queria nem Lula nem Bolsonaro. Eles queriam alguém que não tivesse as denúncias de corrupção, possuísse compaixão, fosse capaz de gerar mais emprego, saúde e educação com oportunidade de trabalho. Ou seja, alguém que entregasse política pública com honestidade e olhar voltado para o mais pobre.

A terceira via não conseguiu unificar todos os componentes em uma pessoa só. Um perfil que possa transmitir isso é uma candidatura de centro, que saiba dialogar com a esquerda e com a direita, que traga racionalidade. Os partidos que podem trazer isso são os de centro. A gente não sabe o que vai acontecer, mas, em termos de potencialidade, o Bolsonaro tem segmento do eleitorado muito forte.

O povo brasileiro deve saber quem é melhor para o país!

Texto: João Sibirino

Adaptação: Jornal Minuano