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  • Foto do escritorRedação JM

Início da Quaresma e Campanha da Fraternidade: “Fraternidade e Fome”

Início a minha mensagem citando o Papa Francisco, que diz: “Quaresma é tempo favorável para sairmos de nossa alienação existencial causada pelo pecado”, é “tempo de abertura ao mistério da dor e da morte, da cruz, do Crucificado, Vencedor da morte”.

No Tempo Quaresmal, somos convidados a nos voltar para nós mesmos através das celebrações litúrgicas, da catequese e dos encontros em preparação à Páscoa, tendo presente que estamos vivendo um tempo favorável, principalmente, para uma mudança de vida.

É a oportunidade de nós Igreja nos esforçarmos para vivermos esse tempo em duas dimensões: comunitária e social, como nos afirma a Sacrosantum Concilium. É sairmos do nosso eu, do nosso individualismo e olhar além do nosso horizonte, pois só assim perceberemos que, em nossa volta, o nosso irmão está sofrendo todos os tipos de misérias: humana, espiritual, material e, principalmente, de fome. Somente com os olhos bem abertos poderemos agir e viver como verdadeiros cristãos, porque um coração convertido jamais será indiferente aos irmãos.

A Quaresma, para nós, não é o deserto do isolamento, mas do silêncio donde brota a experiência de encontro com o Pai, que nos faz compassivos à semelhança do Mestre. Logo, caminhando com Ele, não podemos passar ao largo daqueles a quem Ele se acerca. A Campanha da Fraternidade nos ajuda a fazer este exercício. Quaresma é exercício de santidade. Santidade é assumir, até as últimas consequências, o projeto de Deus, tal como nos mostra Jesus, mas a partir das coisas pequenas, como nos ensina a vida de tantos santos e santas.

Modo de viver a Quaresma

É por isso que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe à Igreja e a todos os homens e mulheres de boa vontade deste País, pela 60ª vez, desde 1964, em edição nacional, a Campanha da Fraternidade. Expressão de conversão, comunhão e partilha.

A Campanha da Fraternidade ilumina de modo particular os gestos fundamentais desse tempo litúrgico: a oração, o jejum e a esmola. Assim, a iniciativa promovida pela CNBB tem como finalidade principal vivenciar e assumir a dimensão comunitária e social da Quaresma.

A Campanha da Fraternidade é um dos modos de viver a espiritualidade quaresmal. Ou seja, não se esgota a Quaresma na vivência da Campanha, mas a Campanha também não contradiz a vivência quaresmal, pelo contrário, a enriquece.

O tema da Campanha da Fraternidade deste ano é “Fraternidade e Fome”, e o lema “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt. 14, 16). Por ser tema tão relevante, é a terceira vez que a fome é tratada pela Igreja no Brasil na Campanha da Fraternidade. A fome é repudiada por afrontar direta e imediatamente princípios fundamentais da Doutrina Social da Igreja (DSI), destacando-se aquele da distinção universal dos bens pelo qual se crê que “o mundo criado é uma propriedade de Deus, sobretudo e não do homem, de homem algum” (Texto Base 2023).

A Campanha da Fraternidade deste ano tem como objetivo geral: sensibilizar a sociedade e a Igreja para enfrentarem o flagelo da fome, sofrido por uma multidão de irmãos e irmãs, por meio de compromissos que transformem esta realidade a partir do Evangelho de Jesus Cristo.

Por isso, somos desafiados a viver esse tempo tão especial que a Igreja nos propõe sempre voltados aos exercícios quaresmais do jejum, da esmola e da oração em favor da nossa conversão pessoal, mas sempre em benefício do nosso irmão mais necessitado.

Por padre Silvio Jorge Mazzarolo/dministrador Diocesano - Diocese de Cruz Alta


 


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