• Redação JM

Normalidade ou desejo de novidade pós-pandemia?

A erupção do vírus nas nossas vidas nos desestabilizou e colocou nossa segurança pessoal em crise. Quando a vida recomeçar, devemos levar em conta as repercussões psicológicas, as incógnitas, as consequências econômicas e sociais, o aumento do cansaço físico e mental, a depressão e a violência.

O que nós queremos? Voltar à normalidade da pré-pandemia ou, no período doloroso, também sentimos vontade de novidades, e vontade de ir mais longe? Voltar ao normal significa não ter aprendido a lição que a história nos ensinou. Como disse o Papa Francisco em 27 de março de 2020, não era possível pensar em permanecer saudável em um mundo doente. A pandemia revelou todas as lacunas em nossa sociedade e a sabedoria teria feito com que fossem consertadas, tratadas, administradas e curadas. Se, ampliarmos nosso olhar para o mundo, perceberemos situações ainda mais trágicas onde, mesmo antes da pandemia, não havia segurança, nem mesmo ao chegar à noite.

Pode ser que na sociedade em que vivemos nos sentíssemos muito seguros, ao ponto de prever quase tudo, enquanto em outros lugares, sob outros céus, houvesse mais formação nas carências, privações e incógnitas. Mas, acima de tudo, há mais treinamento de reação, na verdade, é todos os dias que tentamos reagir para ganhar a vida e derrotar a morte em suas várias formas. A incerteza da existência desenvolveu a criatividade mais para desvendar e para se ocupar.

O Papa Francisco nos lembra isso em sua encíclica Fratelli Tutti: “A dor, a incerteza, o medo e a consciência das próprias limitações que a pandemia suscitou, ecoam o apelo a repensar nossos estilos de vida, nossas relações, a organização de nossas sociedades e, acima de tudo o sentido da nossa existência".

O Papa recorda ainda um dos seus princípios anunciados na encíclica anterior. Se tudo está interligado, é difícil pensar que este desastre mundial não esteja relacionado com a nossa forma de lidar com a realidade. Portanto haverá jeito para uma nova forma de viver. Então, o almejado retorno à normalidade não deve coincidir com o modo de vida que tínhamos antes da Covid. Seria mais útil mudar hábitos, caminhar para um estilo de vida mais sustentável, interessar-se pela situação dos outros, prestar mais atenção ao clamor dos pobres. São eles que suportam o impacto das mudanças em curso.

Mesmo dentro da nossa sociedade, estão surgindo profundas diferenças entre quem tem renda e trabalho garantidos e quem foi muito mais afetado por ter um emprego precário ou por atuar nos setores mais afetados pelo bloqueio.

Ser missionário hoje em nosso mundo deve nos motivar na formação para administrar o que é desconhecido, inesperado, repentino e fazê-lo junto com os outros, para sermos mais fortes, resistentes e solidários com todos.

Para quem tem o dom da fé, isso pode se tornar uma tarefa para ajudar outros a entrar nesta visão das coisas. Deus sabe transformar bem tudo o que nos acontece, até as coisas mais dramáticas, como esta pandemia, desde que saibamos dar bom uso aos seus ensinamentos e não perder a oportunidade.

Podemos dar testemunho de nossa fé aprendendo a lidar com a ansiedade, o medo, os acontecimentos inesperados, as inconveniências, compartilhando mais com os necessitados e clamando por ajuda.

Ter também aquela capacidade de reagir com um novo sonho de fraternidade e amizade social, fazer crescer uma abertura universal sincera e cordial. Solidarizando-nos com as tragédias de outros povos, a reação agora é chamada de resiliência.

Texto: João Sibirino

Adaptação: Jornal Minuano