• Redação JM

O Brasil procura Salvador da Pátria!

Desde as eleições diretas para presidente o Brasil sempre esteve em busca de um Salvador da Pátria: Collor - caçador de marajás; FHC - pai do Plano Real; Lula - o escolhido do povo; Bolsonaro - para acabar com a corrupção.

Collor foi eleito em 1.990 como apoio popular para caçar os marajás, políticos privilegiados que se aproveitavam do estado, combater a inflação e a corrupção, e defender os “descamisados”. Passados dois anos e meio do início do seu governo sofreu impeachment por montar esquema de corrupção, compra de apoio e votos no Congresso Nacional. Assumiu então Itamar Franco que, após algumas tentativas sem sucesso chama Fernando Henrique Cardoso para o Ministério da Fazenda. FHC monta equipe que renegocia a dívida externa e cria o Plano Real com nova moeda para o Brasil prometendo estabilidade inflacionária e crescimento econômico.

Na esteira do Plano, que começava a dar sinais que ia dar certo, FHC sai candidato a presidente e é eleito em 1994 com amplo apoio popular para dar seguimento ao desenvolvimento econômico do Brasil. Começa então processo de privatização das empresas estatais telecomunicação, siderúrgicas e de telefonia, entre outras, para aliviar o Estado de empresas ineficientes e deficitárias. No entanto, o dinheiro é usado em novo esquema para conseguir apoio do Congresso e aprovar medidas propostas pelo Governo, como a possibilidade de reeleição no executivo. Reeleito faz segundo mandato pífio e não consegue eleger seu sucessor.

Então em 2.002 Brasil elege Lula, o sindicalista pai dos pobres, aquele que iria levar os benefícios do crescimento econômico a todos os brasileiros e acabaria com a fome do Brasil. No primeiro mandato ele “surfa” a onda do crescimento econômico mundial e da estabilidade da moeda brasileira. Para obter o apoio do Congresso, aprovar as medidas que queria tomar e iniciar seus projetos ele “profissionaliza” o esquema de corrupção que já existia envolvendo grandes somas de dinheiro. Utilizando expressão que o próprio ex-presidente gostava, “nunca antes na história do Brasil” vimos tamanho volume de desvios de recursos públicos envolvendo estatais como a Petrobras e o BNDES.

No segundo mandato, para enfrentar a crise que iniciou com a bolha imobiliária nos EUA, amplia os programas de redistribuição de renda, o que garante a eleição de sua sucessora, Dilma Rousseff em 2.010. Dilma faz primeiro mandato inócuo apoiada na popularidade de Lula, a quem sempre chamou de presidente, nunca de ex-presidente. Maquiando os resultados econômicos do país consegue se reeleger, mas o mundo já mostrava sinais de redução da atividade econômica. Ao mesmo tempo as investigações da Operação Lava Jato começam a dar resultados e a chegar naqueles que comandavam o esquema. Políticos do alto escalão nacional, altos executivos e donos de empreiteiras são envolvidos e acusados com provas de ligação direta com esquemas de corrupção. Neste cenário, o dinheiro da corrupção míngua, Dilma sofre impeachment (sem perder os direitos políticos como foi o caso do Collor) e Michel Temer, o vice-presidente assume para terminar o mandato cambaleante.

Novas eleições e em 2.018 o Brasil elege Jair Messias Bolsonaro, ex-oficial do Exército Brasileiro, que foi deputado federal pelo Estado do Rio de Janeiro por 5 mandatos. Considerado um deputado do “baixo clero”, aqueles de menor importância nas decisões da Câmara, sempre foi visto como aquele que não se alinhava com a velha política. Após um ano e meio de mandato já sofre os desgastes da perda de alguns dos pilares que sustentavam seu governo em meio a uma crise de saúde e econômica deflagradas pela pandemia global da Covid-19.

Dois fatores são comuns nas eleições de Collor, FHC, Lula e Bolsonaro: (i) a busca por um Salvador da Pátria, alguém que assuma a presidência da República e dê solução a todos os problemas e mazelas do Brasil; (ii) uma população que quer a salvação, mas está disposta a fazer a sua parte. De forma geral o brasileiro não entende que as decisões políticas passam pelo Congresso Nacional, que quer mudança, mas reelege os mesmos deputados e senadores da velha política, muitas vezes esperando obter algum benefício.

O brasileiro clama por combate à corrupção, execra os condenados por esse crime e aplaude aqueles que lutam contra isso, mas ao mesmo tempo está sempre à procura de oportunidade de “ser esperto”. É comum ver casos de pessoas que estão cadastradas nos programas sociais como Bolsa Família, distribuição de cestas básicas e auxílio no caso da pandemia, sem ter direito aos mesmos. Parece-me que elas não entendem que ao fazer isso estão lesando o Brasil. Lesam outros brasileiros que poderiam receber o auxílio, o Estado que está gastando mais do que deveria/poderia e a si mesmas, pois é o dinheiro dos impostos que todos pagamos que financia isso tudo. Ao reeleger as velhas raposas da política, sim porque eles não estariam lá se ninguém votasse naqueles que participam de esquemas de corrupção e outros crimes, mantêm o status quo.

Disso tudo uma grande lição: se queremos um país melhor, se queremos mudança, ela tem que começar por nós mesmos e por nossas famílias. Não podemos reclamar do político que desvia milhões se achamos “normal” quando o filho (a) fica com a caneta do colega ou com a bola do amigo. Exemplo: Se queremos um governo honesto, devemos primeiro manter nossas famílias de forma decente, respeitando os mais velhos, cuidando e educando nossas crianças. Devemos apoiar a iniciativa do caso do cidadão que usou metade do auxílio Covid-19 para iniciar criação de frangos e fazer desse o sustento da família.

Sendo assim, não acredito em Salvador da Pátria, porque este que está voltando já teve sua oportunidade. Se o povo brasileiro insistir será um passo à trás.

Texto: João Sibirino

Adaptação: Jornal Minuano