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  • Foto do escritorRedação JM

Perdas chegam a 100% com estiagem em lavouras do RS

A estiagem que atinge o Rio Grande do Sul causa 100% de perdas em lavouras na safra 2022/2023. A situação é definida como crítica por analistas da Emater-RS que atuam nas regiões mais afetadas e muitos municípios decretaram situação de emergência.

“O milho deu perda total. É o terceiro verão que se perde toda a lavoura”, lamentou produtor rural, que reserva em torno de 50 hectares da propriedade para o milho destinado à silagem.

Os prejuízos são grandes com a falta de chuva para as culturas de verão e com granizo nas de inverno. “Isso faz parte, mas a gente é persistente”. Depois de ter duas perdas seguidas com o milho, dessa vez se preveniu com a inscrição no Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro). “A gente não planta para fazer Proagro. A gente planta para colher bastante”. Na propriedade, apenas pequena área de milho irrigado foi salva, completou o produtor.

Na Fronteira Oeste, estimaram-se perdas na ordem de 30% nas lavouras irrigadas, entre 70% e 100% nas áreas de sequeiro implantadas na primeira janela de semeadura, em agosto e setembro. As lavouras cultivadas tardiamente sofreram danos ainda mais expressivos e foram direcionadas à produção de silagem.

Conforme a Emater, os produtores com áreas financiadas acionam o seguro para mitigar os prejuízos. Em várias regiões do Rio Grande do Sul foi registrado aumento nas solicitações de cobertura do Proagro. A estiagem deste ano tem espectro grande no setor agropecuário, mas de forma mais intensa no milho. Principalmente o milho plantado no último decêndio de agosto em diante teve perdas quase que absolutas, chegando em alguns pontos a 100%. As plantas mais prejudicadas estavam na fase de florescimento e enchimento de grãos com necessidade hídrica maior, em que mais precisam de água.

Persiste o quadro de déficit hídrico na maior parte do Estado, com consolidação nas perdas de produtividade. Os índices são distintos, inclusive dentro da mesma região. Apenas no Nordeste, a produtividade se manteve próxima à projetada inicialmente. A área estimada de cultivo de milho na safra 2022/2023 é de 831.786 hectares.

O Rio Grande do Sul enfrenta estiagem no verão há três anos consecutivos e, a cada período, a intempérie tem apresentado características diferentes. Não há padrão, nesta safra, por exemplo, a característica é o déficit hídrico com chuvas muito irregulares. É ruim, muda de cenário numa distância de 20 km. A solução definitiva para esse problema é sistema de produção, aliado ao manejo do solo com cobertura e irrigação, resumiu a Emater. Além da estiagem, o custo da lavoura está altíssimo, por causa do preço dos insumos. Nos 140 hectares em que se planta a soja, o custo corresponde a 50 sacas por hectare. Com as perdas, se contabiliza prejuízo entre R$ 5 a R$ 6 mil por hectare.

Giovani Feltes, secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do RS, disse em entrevista à imprensa que está se reunindo com vários órgãos ligados aos setores de agricultura, recursos públicos e Defesa Civil a fim de definir ações para minimizar os efeitos da estiagem no Estado. Destacou, entre as iniciativas, a construção de poços artesianos, cisternas e açudes, além de parceria com os municípios e intensificação de ações do programa Avançar destinado a acelerar o crescimento do Estado. “Vamos atuar de acordo com o tamanho e a dimensão do agro no Rio Grande do Sul. Queremos dar ainda mais celeridade às ações do Avançar e colocar em prática iniciativas conjuntas para mitigar os efeitos da estiagem”. O secretário disse que pretende alinhavar, em conjunto com órgãos técnicos como Emater-RS e Simagro-RS Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos, ainda nos próximos dias, ações céleres para assessorar os produtores que mais sofrem os efeitos do clima.

Sem ações concretas, entra ano sai ano, toda a população do estado sofre. Está ficando cada vez mais necessitada de ajuda, começando pela alimentação. Falar só não basta tem que fazer!


 





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