• Redação JM

Quarentena de cem dias!

Foram cem dias de muita leitura, trabalho em casa, convívio intenso com a família, até porque não teve outro jeito a não ser seguir o protocolo. Mas foram também cem dias de muito inconformismo com o que havia, houve e ainda há fora do cotidiano. Foram dois ministros da Saúde em plena pandemia, dois ministros da Justiça, dois ministros da Educação e crises políticas diárias. Desrespeito com doentes, mortos e familiares. Negligência com populações pobres, de áreas menos favorecidas ou totalmente desfavorecidas. Desmandos e desgoverno por parte daquele que deveria ser o líder político máximo do país. Cem dias de crescimento de violência doméstica entre mulheres que passaram a conviver por dias e noites intermináveis com maridos desempregados e alcoolizados. Os índices ultrapassaram qualquer expectativa, as denúncias aumentaram 40% segundo levantamento do disque 180, que recebe notificações anônimas. Mais preocupante ainda foi a explosão nos números de feminicídios, 22,2% apenas entre março e abril, de acordo com pesquisa realizada com dados de órgãos de segurança de doze estados do país.

Nestes cem dias, quando não foi a mulher que morreu vitimada pela violência doméstica, sendo o filho dela, vítima da violência do Estado. A violência do privilégio de classe, do abismo social. Filhos com idades diferentes, mortos em circunstâncias diferentes, mas todos com a característica comum de pertencerem a uma parcela socialmente excluída da população ou pior, de simplesmente não pertencerem a nada. Apenas ao afeto da mãe, invisível para os insensíveis. O não pertencimento de mulheres de regiões da periferia, que não puderam parar nem se proteger para que outras pudessem descansar, não limpar a própria casa, ou aproveitar a quarentena. A mãe que não conseguiu se isolar e teve de ir trabalhar com o filho pequeno para que a patroa mantivesse as unhas feitas. Aliás, a manicure também não teve o privilégio de se isolar para se proteger do vírus.

Muitos artigos lidos nesses cem dias que a pandemia da Covid-19 explicitou, o gigantesco encontro entre o privilégio e a vulnerabilidade social. Talvez nenhuma outra percepção seja tão clara em relação à crise provocada pelo vírus. Foram cem dias de quarentena, de observações, de leituras, de distanciamento e protocolos variados. Cem dias de instabilidade política, durante a pandemia, pelas previsões científicas. Vêm mais cem dias por aí. É bem verdade que coisas ruins aconteceram e a maioria nos grandes centros urbanos, mas também muitas coisas boas ocorreram nos pequenos municípios da nossa região. A preservação da vida ficou em primeiro plano, significa que o mundo vai mudar para melhor no caso referente à parte social. A pandemia vai passar, por isto, a importância da participação de todos no seguimento do protocolo.

Santa Bárbara do Sul e Saldanha Marinho, estão seguindo à risca as recomendações da saúde e das autoridades municipais. Isto porque todos desejamos nos reencontrar novamente, comemorar o fim da pandemia, recomeçar novo ciclo de vida mais humano de amor ao próximo. A eliminação do Coronavírus, depende da vontade de todos. Até lá, cada um siga fazendo sua parte, ajudando a fiscalizar, porque não conhecemos o inimigo e ainda não temos a vacina para eliminá-lo.



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