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  • Foto do escritorRedação JM

As enchentes no RS impactam na economia de todo o Brasil!

As enchentes no Rio Grande do Sul atingem 94% da estrutura econômica do estado, e seus impactos são sentidos em todo o país. O maior desastre climático já visto na história recente do país pode ameaçar o objetivo de crescimento econômico superior a 2% em 2024, antecipam previsões de bancos e analistas.

O Estado responde por 6,5% das riquezas nacionais e tem quarto maior PIB do Brasil, mais alto que o de países vizinhos como o Uruguai e o Paraguai. Com a tragédia, o impacto para o país tem sido avaliado entre 0,2% e 0,3%.

“Num primeiro momento, não tem como evitar empobrecimento da região, portanto, é um Brasil que cresce menos. O ponto agora é como vai recuperar as condições de crescer”, dizem os analistas econômicos. “Você precisa ter um plano de recuperação da atividade. Se deixar no cada um por si e que as próprias empresas se recuperem, não será fácil”, dizem.

A agricultura gaúcha é responsável por 12,6% do que é produzido no Brasil, em especial mais de dois terços de todo o arroz. A tragédia nas lavouras no Rio Grande do Sul pode repercutir nos preços dos alimentos a curto prazo, mas medidas como importações pontuais já mitigam esse efeito para os consumidores brasileiros.

Mais duradouras sem a recuperação da infraestrutura de armazenamento e da logística para escoar a produção, a próxima safra pode estar comprometida.

“A próxima safra vai depender da logística e de como ficaram os solos. Aquela água passou lavando e leva embora a cobertura do solo, nutrientes, tudo que fica para a plantação seguinte”, salientou analista.

Impacto nos preços de alimentos, eletroeletrônicos e materiais de construção, economistas mantêm otimismo sobre o desempenho do PIB brasileiro graças a resultados melhores do que os esperados no primeiro trimestre do ano, antes da catástrofe no Sul. Os números definitivos devem ser revelados neste mês e poderão compensar as perdas que virão do RS.

Os economistas observam que, se o choque de ofertas nos alimentos tende a ser compensado rapidamente, outros setores podem ter consequências mais duradouras, como a oferta de eletroeletrônicos e materiais de construção. “Todo mundo vai querer refazer a casa no mesmo momento. A gente pode ter um aumento pontual de demanda por geladeira, fogão, televisão, que nos leve a um gargalo de ofertas. Material de construção também, talvez até mais que eletroeletrônicos”.

Professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pesquisador associado do IBRE (Instituto Brasileiro de Economia, da FGV), também ponderou. “Vai haver neste resto de ano um certo aquecimento com as transferências que os governos estão fazendo, de renda, para a reconstrução”, ressaltou. “Usualmente, quando há desastres dessa natureza, o setor de construção civil tende a ter um desempenho relativamente bom nos anos seguintes”.

Ainda há pouca clareza sobre qual será a velocidade da recuperação gaúcha. As inundações afetaram nove em cada 10 indústrias do Estado. Na agricultura, a chegada do fenômeno La Niña, no próximo semestre pode acarretar novos prejuízos para a agricultura, desta vez pela seca.

Para projetar cenários futuros, a G5 Partners buscou referências em outras catástrofes climáticas semelhantes, como o furacão Katrina, que devastou Nova Orleans em 2005. Essa reconstrução não vai ser como nos Estados Unidos, que foi relativamente rápida. Ela talvez vai ser mais lenta pela capacidade menor de alavancar recursos como tiveram os Estados Unidos naquela época.

Os valores estimados para a reconstrução do RS estão sendo calculados, mas devem passar dos R$ 100 bilhões. Os aportes excepcionais do governo federal nesta conta causam certa preocupação sobre o impacto para o equilíbrio fiscal do país. Sem dúvida, se isso não for compensado com cortes de gastos em outras áreas, vai complicar a situação fiscal que já não está simples: as projeções de aumento da dívida são significativas e o financiamento dela está ficando mais caro. Ainda que se entenda o mérito deste gasto, isso pode ter impacto sobre o crescimento do PIB e a inflação até maior do que as enchentes.

A alta do endividamento agora é o menor dos problemas. O ex-professor de Economia da USP aposta que a recomposição da economia gaúcha vai permitir saldar o rombo, inclusive ao voltar a impulsionar o desempenho econômico do Brasil já em 2025.

“Você tem uma grana que é fundo perdido mesmo, e cuja contrapartida é o conforto humano, que não tem preço. Isso vai ter que estar nesse orçamento, e eu não consigo imaginar o plano para o Rio Grande do Sul não dando frutos. Em relação à postura do mercado financeiro sobre isso, o que dá para ver é que tem uma programação de leilões, que o Tesouro vai anunciar em algum momento, e dada a natureza excepcional e planejada, é algo que poderá entrar na conta. Isto significa que o cinto vai apertar ainda mais”, salientou o ex-economista-chefe.


 


 

 

 

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