O agronegócio não foi afetado somente no Rio Grande do Sul pelas enchentes de maio no Estado. A pior catástrofe já ocorrida no mapa gaúcho deve aumentar os pedidos de recuperação judicial no setor em todo o Brasil, neste e no próximo semestre, além de causar impacto na economia como um todo. A avaliação é de especialistas, com base em dados oficiais.
Entre abril e junho, o País tinha 243 empresas agropecuárias sob processo de recuperação deferido pela Justiça, quase 8,5% a mais que em igual intervalo no ano passado. No Rio Grande do Sul, a mesma base de comparação apontou que esse aumento foi de seis para 28, ou 366%, no embalo das perdas em segmentos como soja, gado de corte.
Aspecto preocupante é que as estatísticas ainda não repercutem os efeitos da tragédia. Mas analistas já trabalham com a expectativa de que o impacto mostre sua verdadeira dimensão ao longo dos próximos meses, se deve ao fato de que, normalmente, produtores e empresários rurais levam certo tempo para digerir os prejuízos e tomar decisões sobre o que fazer diante da situação.
Estatísticas apontam que os pedidos de recuperação judicial em empreendimentos do agronegócio têm seguido linha ascendente desde 2023, em meio a contexto marcado por endividamento e outros problemas. Só ano passado, as solicitações subiram aproximadamente 300% entre janeiro e dezembro do ano passado, chegando a 127 casos.
O número pode ser relativamente pequeno em setor protagonizado por milhares de produtores. Mas já acende o sinal amarelo para 2025, com motivos para preocupações no curto e médio prazo.
Instituída pela Lei Federal nº 11.101, de 2005, a recuperação judicial é um recurso por meio do qual determinada empresa aciona a Justiça.
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