• Redação JM

2022 e os desafios da economia brasileira!

Os principais bancos centrais ao redor do mundo devem reduzir seus estímulos ao longo dos próximos trimestres diante da persistência da pressão inflacionária. Nos EUA, a redução da taxa de desemprego e o forte aumento da inflação leva a uma nova redução no volume de compras de ativos financeiros. Além disso, a projeção de crescimento do PIB real de 3,5% neste ano sustenta a expectativa de que o ciclo de normalização da taxa de juros poderá ser iniciado em abril.

Na China, o governo determinou a agenda econômica e mostrou disposição em adotar medidas adicionais para sustentar a atividade econômica, mas com diligência. Priorizou-se a necessidade de estabilidade da economia, com política monetária “flexível e apropriada” e a continuidade de política fiscal proativa. Em relação ao mercado imobiliário, foram sinalizadas medidas específicas nas cidades para o desenvolvimento do setor. Com essas diretrizes, a expectativa para o crescimento econômico chinês está em torno de 5,0% em 2022.

No Brasil, indicadores proprietários e setoriais sugerem fraco desempenho da atividade econômica no quarto trimestre do ano passado. A estagnação deverá persistir neste semestre, com os efeitos defasados do aumento da taxa Selic sobre a demanda doméstica. Dessa forma, estima-se que o PIB real apresentará expansão de apenas 0,2% em 2022. A recuperação do mercado de trabalho deverá perder tração nos próximos meses, o que manterá a taxa de desemprego em torno de 12,5% ao longo do ano, acima do patamar pré-pandemia, com ajuste sazonal.

A ociosidade do mercado de trabalho ajudará no processo de desinflação nos próximos meses. Incluindo as perspectivas de melhora no regime de chuvas e a estabilização do preço do petróleo no mercado internacional, estima-se que o IPCA cairá para 4,7% em 2022. O Banco Central sinalizou que pretende aumentar ainda mais a taxa Selic neste trimestre para ancorar as expectativas em patamar mais próximo do centro da meta.

Apesar disso, a expectativa de que a taxa de juros encerrará o ano em 10,25%. As contas externas seguem equilibradas. Assim, o déficit em conta corrente, estimado em 2,2% do PIB, poderá ser financiado pelo ingresso líquido de capitais, permitindo a manutenção do dólar em torno de R$ 5,60 no final do ano, salvo aumento de incerteza fiscal.

As contas públicas foram beneficiadas ao longo dos últimos trimestres pela recuperação da atividade no segundo semestre de 2020, pelo forte aumento da inflação e por fatores não recorrentes. Estima-se que esses elementos não estarão presentes na mesma magnitude neste ano, o que prejudicará o resultado fiscal. Assim, somando o aumento do custo de financiamento, estima-se que a dívida pública subirá de 81% do PIB em novembro de 2021 para 85% do PIB no final de 2022.

Resumindo, o cenário econômico para este ano é desafiador. A incerteza fiscal e a elevação da taxa de juros prejudicarão o desempenho da atividade econômica brasileira, proporcionando importante desinflação no médio prazo.

Enquanto isto, o povo brasileiro continua amargando impactos da pandemia e as injustiças da guerra na Ucrânia.

Texto: João Sibirino

Adaptação: Jornal Minuano